quinta-feira, 11 de abril de 2013

Rigidez da Lei Seca faz padres estudarem mudança de hábito nas missas

Religiosos que dirigem após celebrações avaliam alternativas diante de maior fiscalização


por Fernanda da Costa
A tolerância zero da Lei Seca exigirá jogo de cintura dos padres gaúchos que dirigem após as celebrações. Com as medidas mais severas, os religiosos estudam alternativas para não serem surpreendidos em uma fiscalização. Entre as opções estão diminuir a dose ou apenas imergir a hóstia no vinho durante o sacramento.

Por precaução, o padre Silvério Schneiders, 71 anos, mudou a rotina desde 2008 em Capitão, no Vale do Taquari. A rotina do religioso exige que ele rode com frequência cerca de 10 quilômetros para celebrar missas no interior. Desde então, quando precisa assumir o comando do volante, viaja acompanhado de um ministra da Eucaristia, encarregada de beber o vinho após a consagração.

— Desde que soube da Lei Seca, eu apenas mergulho a hóstia na bebida, que a ministra toma — relata.

O arcebispo de Passo Fundo, no norte do Estado, Dom Antonio Carlos Altieri, afirma que não ainda não houve uma reunião oficial do clero para discutir o tema, mas que estuda dar orientações aos religiosos. Ele apoia a medida, que traz mais segurança no trânsito, mas não acredita que a lei possa motivar a decisão por parte da Igreja de substituir o vinho por suco de uva durante as missas.

— Esta substituição pode ocorrer quando os padres têm problemas de saúde. No caso da Lei Seca, acho que podemos tomar outros cuidados — comenta.

Altieri comenta que o significado do vinho é muito forte na celebração e que, dentro do possível, o uso da bebida será mantido. O religioso planeja, inicialmente, passar orientações como a diminuição do volume de vinho colocado na taça, a espera maior para assumir a direção, ou a simples imersão da hóstia no vinho, a exemplo do que faz o padre Schneiders.

Responsável pela paróquia de Arroio do Meio, no Vale do Taquari, o padre Alfonso Antoni, 46 anos, chega a celebrar três missas por dia nos domingos. Para ele, a rigidez da Lei Seca preocupa principalmente os religiosos do Interior, que circulam pelas estradas com mais frequência para celebrar missas em comunidades de agricultores.

— É algo que preocupa, pois os padres que viajam para celebrar missas, principalmente nas comunidades do Interior, vão precisar ter muito mais cuidado — destaca.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Estado, o bispo de Novo Hamburgo Dom Zeno Hastenteufel, relata que no momento não há uma orientação oficial sobre o consumo de vinho durante as missas, mas que o assunto será abordado em uma reunião.

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