domingo, 27 de julho de 2014

Não seja um deus-protetor de ninguém!

 


AMAR NÃO É FORÇAR QUE SE FAÇA O QUE DIZEMOS, 
Amar também é deixar que a outra pessoa erre. Amar, também é permitir que colha as consequências das suas más decisões. Amar é respeitar o outro nas suas decisões. Se tiver intimidade para isso, avise e alerte, não compactue mas jamais force alguém a fazer aquilo que é bom, correcto e justo aos seus próprios olhos. Ninguém vive uma vida verdadeira e sincera consigo mesmo bem como com quem os(as rodeia, vivendo pela cabeça de outrem mesmo até que as suas escolhas sejam nitidamente más; depois você não é dono(a de ninguém nem da verdade e cada um tem a sua consciência bem como o seu processo individual de aprendizado e maturação. Como a verdade não é sua e a consciência da mesma só nos faz acordar para a realidade através de uma caminhada de aprendizado que cada um de nós tem de fazer por si mesmo, deixe-se de forçar e de insistir para que os outros vejam, creiam e vivam como você; a isso não se chama cuidar nem proteger, mas sim manipular.


QUEM MIMA E SUPER-PROTEGE NÃO ESTÁ A AMAR,  
Amar não é concordar com tudo em alguém, só porque esse alguém nos diz muito; no discordar também se está a amar. Amar é aceitar a pessoa como ela é; é mostrar quais os prejuízos que possam advir de certos rumos traçados, mas amar também é deixarmos que quem amamos e gostamos muito, erre. Amar é permitir que a pessoa colha os frutos das suas escolhas erradas sem o(a abandonar nessa sua jornada de aprendizado. Então, amar é acompanhar e estar por perto sempre-disponível para abraçar, empurrar e servir de apoio em tempos de desgaste e cansaço, mas amar por certo que não é levar ao colo alguém por todo o seu caminho nem dar os passos que ao outro pertence a responsabilidade de os dar. Ou seja, inibir que o outro "sofra" todas as consequências das suas escolhas, é super-proteger e mimar, mas não é amar e sim procurar obrigar o outro aos nossos próprios interesses segundo o que achamos ser bem ou bem para ele(a. Uma das principais e mais esquecidas caracteristícas de quem ama é o respeitar o próximo, até mesmo quando este(a decide fazer aquilo que sabemos que o(a prejudica!

"...o amor não busca os seus interesses..." 1º aos Coríntios, capítulo 13 versos 4 a 7


DEIXE OS OUTROS VIVEREM A SUA PRÓPRIA VIDA,
Uma vida em plena consciência e verdade, não pode ser vivida segundo a realidade e a verdade do que os outros pensam ou consideram ser para si mesmos - isso seria viver a vida pela perspectiva e óptica de alguém, ou seja "viver" numa ficção. Uma vida em plena consciência e verdade, só pode ser vivida através de um palco próprio (a nossa individual caminhada nesta existência), actor(actris principal (que devemos ser nós mesmos), numa peça escrita onde nós mesmos participámos na sua construção. Exponha mas não imponha a sua consciência e perspectiva, moral e ética individual a ninguém. Deixe que os outros vivam a sua própria vida, e que também eles aprendam por si mesmos e à sua própria custa, tal como você aprendeu. Deixe de atar e impor "fardos pesados" e difícies de suportar sobe os outros, por estes ainda não terem aquirido o aprendizado pessoal e instransmissível, necessário a que criem o "músculo" para poderem suportar a informação que você assimilou através da experiência que também é pessoal e instransmissível.


RESUMINDO, 
Pare então de armar-se em deus de outros (amigos, colegas, filhos, famíliares) e permita que Deus seja Deus deles. Ou seja, deixe que as criaturas (seus semelhantes - filhos, pais, amigos, cônjuges) sejam criadas e despertas por Ele O Pai dos Espíritos através das circunstâncias que a vida lhes apresenta, pois na realidade sua própria verdade (adquirida, alcançada ou atingida por si - sua experiência pessoal) por mais Universal que até possa ser, para quem não ainda não a conheceu e ainda não a experimentou, é considerada justamente como sendo nada mais que que uma mentira. Por tal é que quanto mais você a força, a impõe mais ela (a verdade) se torna individualmente sua e menos de quem ela realmente é (de Deus), e logo menos passível a verdade é de ser aceite como a verdade que é de todos pois Ele (Jesus) a todos a deu essa a Luz verdadeira que Ele mesmo É e que ilumina a todo o Homem e Mulher que vem ao mundo (João, capítulo 1 verso 9)!

Por Hélder Inocêncio

quinta-feira, 3 de julho de 2014

JESUS & IGREJA - REFORMA SOMENTE NÃO BASTA!

 
 
Jesus não veio trazer nenhum modelo cultural, e nem fundou uma cultura cristã. Aí o ocidente criou o cristianismo como cultura.

Jesus não estabeleceu uma dogmática cristã rígida. Aí surgiu a igreja, que não estava em seus planos, e ordenou seus ensinos articulando um corpo dogmático inflexível.

Diante de uma religião com padrões morais valorados acima da vida. Jesus pregou uma moral com coração. Surgiu a igreja e convidou sua comunidade a um retorno ao velho e ultrapassado paradigma.

Jesus veio criar um modelo de convivência tomado por uma atmosfera de amor, paz, reconciliação e reciprocidade antevendo o bem comum. Aí surgiu a igreja que procurou meio de obstacular o acesso a essa realidade proposta por ele.

Jesus veio para aposentar o Deus-lei e revelar o Deus-Pai que indiscriminadamente chamava a todos os homens a terem participação no Reino. Surgiu a igreja e assumiu o monopólio de distribuição de ingressos a esse Reino.

Frequentemente confundem igreja com Cristo, teologia feita por homens com a mensagem de Cristo, moral de leis e mandamentos com o querígma. Mas seria importante distinguir a mensagem de Jesus com as ideologias de um grupo feita através da figura de Jesus.

A igreja, para estar conectada ao que originalmente planejou Jesus, deve romper com o atual status quo, abrir mão desse conceito pragmático patente aos olhos de quem quer ver, e promover a necessária revolução em seu sistema como um todo.

Reforma somente não basta.
 
Por Donizete Ap. Vieira

quarta-feira, 18 de junho de 2014

EVANGELHO É PARTILHA 

    

Por algum tempo tentei responder essa pergunta (O que é Evangelho) teologicamente, segui o caminho que muitos trilharam e trilham que é o de conceituar esse termo. O fato é que sempre estamos afirmando que evangelho é isso ou é aquilo, não é isso ou não é aquilo.
Daí, não deixando de respondê-la teologicamente e no decorrer da minha caminhada de fé entre pessoas adotei um conceito que aparece no decorrer das escrituras que é: Evangelho é antes de tudo PARTILHA.

A partilha está presente nas doutrinas cristãs como a trindade, Deus em “partes” ou se “partindo”, na encarnação que é Deus se fazendo homem para partilhar a vida entre os humanos, na ceia que é a partilha do pão e do vinho, ou seja, comunhão e partilha entre pessoas e alimentos, morte e ressurreição, um se dá por todos afim de que todos sejam um, enfim, a partilha é um chamado radical para nós humanos que somos ou fomos tão acostumados a não partilhar, nem a vida nem os bens.

Quando Jesus universaliza o conceito de família afirmando que todo aquele que faz a vontade de seu pai é seu irmão e nos ensina que nessa vida ainda ganharíamos muitos irmãos, pais e mães entendo que desejava que partilhássemos do que já vivemos em uma família nuclear para uma fraternidade universal, onde nos trataríamos com respeito, cuidado e amor.

A parábola do Samaritano também nos ensina sobre a partilha de alguém que não tinha laços sanguíneos, religiosos ou sociais, mas que ao ver seu semelhante em estado deplorável partilhou seu tempo, seu esforço, sua vida e seus bens a fim de restabelecer aquele ser ao seu estado normal de saúde.

Nos milagres das multiplicações, a partilha é algo bem presente, ou seja, o desejo de que outros provem do que é meu ou nosso. É esse desejo, que é bem expressado e vivido por Jesus enquanto caminhava que seus seguidores precisam expressar.

Quando te vimos assim Senhor, perguntaram alguns perplexos, quando Jesus disse que estava naqueles que viviam com fome, sede, nus e presos. Não foi a ti que fizemos, fizemos o que tínhamos vontade de fazer, partilhamos o que tínhamos: comida, água, vestimentas e tempo para visitá-los. Pois bem, disse Jesus, toda vez que fizeram por esses fizeram a mim.

De Jesus saía até poder para curar sem intenção, pois quem vive uma vida de partilha sempre tem algo a dar. Quem está perto de quem partilha sempre é abençoado.

Vida partilhada, vida dividida, vida dada, vida que dá a vez ao outro.

O Deus revelado em Jesus é um Deus partilhado, dividido, que une partes diferentes para comunhão de um todo no amor.

O que é contrário à partilha? O todo, o completo, o acabado, o pronto, o terminado! Pois quem partilha é em partes ou é parte de um todo. O que está em parte se completa juntando-se com outras partes. Daí a riqueza da trindade, as partes formam um, mas cada parte tem seu papel na formação do todo, mesmo que em cada parte esteja contido o todo.

Fazer discípulos não é fazer de alguém um repetidor de afirmações doutrinárias e dogmáticas sobre Deus, Jesus, Igreja e todo o restante dos castelos teológicos criados no decorrer dos séculos. Discípulo de Jesus, assim como ele, precisar partilhar a vida com outros no caminho.

Quem quer vir?

Airton Junior