terça-feira, 2 de abril de 2013

A NATUREZA HUMANA

No evangelho de João está dito que Jesus não se “confiava a ninguém, pois Ele bem sabia o que era a natureza humana”.

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Foi meu pai quem me chamou atenção para essa passagem quando eu ainda era bem novinho na fé, nos primeiros meses da caminhada.

De fato, algo havia acontecido a uma pessoa que me parecia inatingível por problemas humanos do tipo: luxuria e lascívia — e eu fiquei escandalizado.

“Mas ele é um homem de Deus, prega com unção e sabedoria, sabe a verdade, então, por que isto está acontecendo com ele?” — indaguei mais angustiado com o que poderia acontecer a mim, do que de fato com a própria pessoa. E fui logo ficando revoltado, sem saber que minha raiva dele era medo acerca do que eu mesmo poderia fazer e não queria admitir para minha própria sobrevivência espiritual. 

“Meu filho! Você, eu, ele e todos somos da mesma natureza!” — disse-me papai, para, logo a seguir, citar o texto de João acima transcrito. 

Hoje eu sei que “a natureza humana” é um diabo.

Comemos daquele fruto e não ficamos semelhantes a Deus, mas sim dessemelhantes Dele e cada vez mais parecidos com o diabo, a quem, segundo Jesus, muitas vezes, buscamos satisfazer aos desejos.

Não existe natureza humana absolutamente transformada na Terra.
Sim! Por mais que alguém tenha consciência de Deus e do Evangelho, e por mais que ame a Jesus, ainda assim a velha natureza está presente, mesmo que inibida pela nova consciência, porém, sempre latente ela espera uma ocasião para se manifestar transformando desejos contidos em possibilidades exeqüíveis e praticáveis.

Quando perguntaram ao ex-presidente Clinton por que ele “usara o charuto” e tivera suas viagens libidinosas com sua então estagiaria, Mônica, ele disse: “Pela mais visceral de todas as razões do poder: Eu podia!”.

Poder concedido à natureza humana sempre desemboca no estimulo à sua manifestação pior que animal.

Sim! Porque o que se manifesta no homem é pior do que qualquer instinto animal. Afinal, os animais têm saciedade e não vão além do que neles já esteja saciado.

No homem, entretanto, não existe saciedade. Ele sempre quer mais... E quando está de barriga cheia, ainda assim quer “estocar”, quer ter como “sobressalente”, quer fazer “poupança” de possibilidades para “outra hora”.
Desse modo, não basta nunca o que se tem como necessário, tem-se que ter para além do necessário. Se eu posso, algo em mim me diz: Então tenha!...

Portanto, o fruto da Árvore do Conhecimento não nos deu saciedade, mas sim insatisfação; e não nos fez conhecedores de nada como Deus [promessa da serpente, não de Deus], mas apenas nos deu a presunção do conhecimento do bem e do mal, colocando-nos tão somente

na situação dos que se conflituam entre o bem e o mal sem saberem com certeza o que é um ou o outro, sobrando nesse caso apenas a Lei como determinante de um e de outro.

Como disseram os profetas e o salmista, ambos citados por Paulo em Romanos, "não há quem entenda, nem há quem busque a Deus...", posto que "todos se extraviaram e se desviaram pelo caminho".

Assim, quem se confia à natureza humana se faz maldito, pois, maldito é o homem que põe em outro homem a sua confiança!

A "natureza humana" é corrompida, e feliz é aquele que a ela não se confia ingenuamente.


Todo homem é capaz de tudo, dependendo das circunstancias e do nível de angustia e desespero!


Esta é minha honestidade básica com minha própria queda, e é dessa certeza de fraqueza que posso ser fortalecido pela Graça de Deus que se aperfeiçoa em minha fraqueza consciente, porém, entregue ao Espírito de Deus em quebrantamento.

Pense nisso!

por Caio Fabio

sexta-feira, 22 de março de 2013

Pastor abandona a igreja

Uma “folga” de três meses para descobrir o que significa ser “espiritual, e não religioso”.
Por Url Scaramanga

O pastor Mark Sandlin resolveu largar a igreja... Por três meses. Ele afirma que em toda sua vida, nunca faltou mais do que dois domingos seguidos, e que esse período sabático não é devido a uma necessidade de descanso. Ele deseja pesquisar e entender como as pessoas que não frequentam a igreja vivem. Ele escreve:

“Há uma semana, dei início a um período sabático de três meses. Decidi que durante esse tempo, não pisaria na igreja. Por que fiz isso? Porque uma grande quantidade de pessoas com quem desejo trabalhar em meu ministério, não são membros de nenhuma igreja. Eles não são pagãos, nem privados de espiritualidade – são como eu, só que têm o domingo de folga.

O que espero desses três meses é isso: entender do que essas pessoas “espirituais, mas não religiosas” não gostam na igreja. E quero entender o que eu -- uma pessoa que frequentou a igreja a vida inteira -- posso estar perdendo por não aderir a esse estilo de vida cristã”.
Eu sei o que você está pensando... “o que ele vai descobrir são algumas horas extras de sono, isso sim”. Sandlin, no entanto, planeja dividir através de seu blog, a experiência durante esse tempo fora da igreja, e certamente haverá muitas pessoas interessadas em seus relatos. Mas, antes de descartar isso como apenas uma busca por popularidade nas redes sociais, considere esta questão que ele coloca:

“Sou um pregador. Estou completamente envolvido no sistema, e nessa posição, fica difícil ter uma perspectiva. Teoricamente, entendo por que um número cada vez maior de gerações mais jovens está optando por se separar do “rebanho”, mas francamente, apenas ver e reconhecer a “hipocrisia” (um dos motivos que eles, com razão, alegam afastá-los da igreja), não é o bastante. Eu preciso fazer algo a respeito. Portanto é hora de adquirir perspectiva”.
   
É claro que para adquirir perspectiva, é preciso mais do que simplesmente deixar de ir à igreja. É necessário também, construir um relacionamento com esses jovens que ele deseja entender. Ainda assim, a verdade é que os pastores, envolvidos no sistema, podem sim, perder a perspectiva de alguns assuntos que envolvem os fiéis.
   
Quantos pastores são capazes de entender como se sente uma pessoa que trabalhou 60 horas durante a semana, e chegou ao culto de domingo e ouviu que deveria dedicar mais tempo ao trabalho voluntário na igreja? Ou quantos pastores estão familiarizados com a pressão de se trabalhar em um ambiente que não seja cristão? E ainda, quantos se lembram de como é ser discípulo de Cristo quando isso não faz parte de seu trabalho?
   
Talvez Sandlin tenha, de fato, percebido algo relevante. A perspectiva é fundamental, e é muito fácil não se dar conta de certas coisas quando se está preso em uma realidade paralela da igreja. Eu pergunto então: É válida a ideia do pastor? E mais: Além de um período sabático, o que mais os pastores poderiam fazer para adquirir uma perspectiva diferente em suas igrejas?

quarta-feira, 20 de março de 2013

Mundo: Igrejas “diferentes” se reúnem em academias, bares, armazéns…
por Marcio Roberto
Ron Williams é o pastor da Church at the Gym em Sanford, Flórida. Como o nome dessa igreja batista “diferente” sugere, a congregação se reúne em uma academia de ginástica.
Williams diz que o objetivo é eliminar as barreiras colocadas por pessoas que não se sentem confortáveis nos ambientes tradicionais da igreja.
“Eu acho que todas as armadilhas da religião tradicional podem tornar difícil a aproximação dessas pessoas”, explica ele. “Você pode convidar alguém, e ouvir como resposta ‘Eu não tenho roupa adequada para vestir na igreja’”.
Descontraído, Williams trocou o tradicional terno por calças jeans e camiseta. No clima quente da Florida, alguns membros usam shorts. Outros tipos de vestuário são comuns, de roupas da moda até vestimentas esportivas.
Ele acredita que foi uma experiência que deu certo, optando por estimular a freqüência de pessoas com menos de 40, disse ele. “Nós percebemos que eles não estavam sendo atingidos”, disse Williams. “Estávamos perdendo essa geração”.
Mesmo “fora do normal”, a igrejas mantém a tradição evangélica. Os batismos são feitos nas piscinas da casa dos membros. Esses eventos acabam se transformando em grandes churrascos. “É emocionante”, disse Williams. “Todo mundo aplaude como se estivéssemos em um jogo de basquete”.
Sandy Adcox, 38, não entrava em uma igreja havia 8 anos, até que aceitou um convite para conhecer a Church at the Gym, em março. Ela não perde um culto desde então. “Nunca na minha vida me senti tão confortável em uma igreja”, disse ela. “É um ambiente tão caloroso e acolhedor”.
Confortável parece ser um adjetivo comum para descrever igrejas que se reúnem em espaços “não-tradicionais”. Estão cada vez mais populares igrejas em locais como cinemas, rinques de patinação, shoppings e galpões usados para armazenamento, entre outros.
Aaron Coe, vice-presidente de mobilização de uma organização missionária diz que há vários fatores que contribuem para estas alternativas. Isso inclui o afastamento do ambiente tradicional mais formal e as vantagens econômicas de alugueis desses espaços que são usados apenas uma ou duas vezes por semana.
“Nós já vimos de tudo, desde galerias de arte até ginásios de escolas”, disse ele. “As escolas e os cinemas são provavelmente os mais comuns. Há definitivamente uma tendência, e eu acho que chegou para ficar”.
Eles podem não ser facilmente identificados por não terem torres de sino ou vitrais, mas essas igrejas dizem que estão encontrando o sucesso por atingir um segmento da sociedade que estaria longe de Deus. Nessas igrejas, os participantes muitas vezes são recebidos com café e biscoitos. E a música tocada lembra mais os sucesso do momento. The Bridge [a ponte] é uma igreja em Flint, Michigan, que foi começou se reunindo em um shopping center.
“Nós fazemos um monte de coisas que são realmente diferentes,” explica o pastor Steve Bentley. Talvez a opção mais radical foi a abertura de um estúdio de tatuagem que pertence à igreja. “Queremos ser relevantes para a vida das pessoas”, disse Bentley.
A igreja usa clipes de música para ilustrar suas mensagens aos domingos. “Nós rompemos com a tradição, mas não rompemos com as Escrituras”, disse Bentley. “Queremos apenas apresentar a mensagem de uma maneira diferente.”
A pesquisa do Gallup de 2010 mostrou que a frequência à igreja estava em sofrendo uma queda. Cerca de 43% dos norte-americanos diziam freqüentar os cultos semanal ou quinzenalmente. As pessoas mais velhas eram mais comprometidas, enquanto a faixa dos 18 aos 29 anos era a dos menos ativos.
Aaron explica que sua organização fez uma parceria com as igrejas batistas de todos os EUA e Canadá para abrir igrejas em espaços não-tradicionais.
“Como evangélicos, não acreditamos que a igreja é um prédio, a igreja são as pessoas. O local tem cada vez menos importância.”
Mas não só os batistas que pensam assim. O pastor Chuck Culpepper da Igreja Episcopal Anglicana de Jackson, Mississipi, abriu uma igreja em 2006 que optou por se reunir em um armazém.
“Tudo começou com uma idéia que nosso bispo teve”, disse Culpepper. Desejávamos alcançar os jovens adultos “sem igreja”. O galpão onde eles se reúnem semanalmente já foi um depósito e uma loja de móveis. A congregação renovou a estrutura, construída na década de 1920, mas o objetivo era manter a aparência industrial: parede de tijolo à vista e teto alto. “Não queríamos que ela tivesse cara de igreja”, explica Culpepper.
Nic Torrence, 26, veio para a igreja com um amigo há alguns anos atrás, sem saber o que esperar. “Não era nada parecido com as outras igrejas que eu conhecia”, disse o hoje membro. “O que fazemos é diferente. É informal e muito acolhedor.”
Cerca de 45 pessoas apareceram em um bar. Algumas carregam suas Bíblias. Há quem peça uma bebida, outros preferem apenas água. Alguns falam, a maioria apenas ouve. Todos seguem algumas regras básicas: evitar debates desnecessários e manter o foco no texto discutido esta semana.
“Nosso foco não é beber”, insiste Rodger McDaniel, um pastor presbiteriano que organizou a reunião semanal no bar Drunk Monkey [Macaco Bêbado] mais de um ano atrás. “Mas ao mesmo tempo, é um ambiente muito mais descontraído do o de uma igreja. Se eu fizesse isso na minha igreja aos domingos, não acho que teríamos mais de cinco ou seis pessoas.”
“É bom para levar a Palavra de Deus, e Deus está em toda parte. Bem, as pessoas estão em toda parte também,” diz Joe Beene, proprietário do bar que alguns dias por mês vira igreja.
“Eu vejo um monte de pessoas que vêm aqui (com) problemas, e eles estão tentando resolvê-los ou tentar apenas esquecer deles com o álcool, o que certamente funciona a curto prazo, mas não faz eles sumirem de sua vida”, diz Beene. “Eu sinto que eles precisam ouvir o que eu tenho ouvido nesta igreja.”