segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

“Deus nos livre de um país evangélico”, diz Ricardo Gondim

O pastor Ricardo Gondim escreveu um artigo falando do seu pavor em ver o Brasil se tornar um país completamente evangélico. Tentando se explicar, ele fala não contra o cristianismo, mas contra o movimento evangélico. Citando o que aconteceria na cultura e na ciência, o pastor prevê um verdadeiro caos nacional.

Confira o artigo completo:
“Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.
Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.

Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).

Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.
Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?3
Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam imp-’lacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?

Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.
Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.

Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?
Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.

Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.
Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.
Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.

Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.
O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.

Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.

Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Quem matou minha vida?

por Mateus Goethel Cesimbra
 
 

Para muitos a vida termina na morte, ao contrário destes, aqueles que se dizem cristãos acreditam que a vida vai além do que vemos, sentimos ou presenciamos aqui nessa terra... Ela é eterna. O Evangelho nos faz crer que aqui é apenas um começo, e por mais que se tenha vivido 100 anos, este apenas viveu o início da sua jornada. Quando João fala que aqueles que recebem a Jesus em seu coração possuem a vida em abundância, ele se refere a toda dádiva imerecida que temos de Deus, ou seja, a graça que temos diariamente derramada sobre nossas vidas. A abundância não é aquela onde se faz tudo aquilo que se tem vontade: beber tudo o que conseguir, comer até não poder mais ou transar feito um animal por ai. Isso não é abundância, e sim irracionalidade. Deus nos dá o livre arbítrio, o que quer dizer que cada um é dono do seu nariz e desta forma, pode fazer com ele o que bem entender, até mesmo quebra-lo!
Somos tão irracionais que não sabemos aproveitar a abundância que Deus nos dá para vida. Queremos tudo de uma só vez quando é conveniente! Porém quando se trata de abundar o amor ao próximo, a solidariedade, a compaixão poucos querem. O que vale mesmo é curtir como diz essa moçada de hoje em dia. Se esquecem que o curtir uma balada de forma descontrolada hoje pode fazer com que num futuro ele curta um leito de hospital... Esquecem que curtir aquele engradado de cerveja pode fazer com que nos próximos anos ele curta uma doença no fígado... Que transar de forma doida sem amor poderá além de lhe trazer doenças, presenteá-lo com um imenso buraco na alma. São inúmeros os fatos que poderia citar aqui, e nenhum deles é viver a abundância de Deus. Isso é acabar com a vida!
Mesmo sendo eterna, nós podemos acabar com a vida quando simplesmente somos negligentes. O nosso corpo é um templo. Nós somos a igreja que Jesus se refere, e mesmo que você não dê a mínima para esse papo, você é a igreja Dele! Desta forma quando destruímos a nossa saúde o mal não é somente para a própria vida, e sim para Jesus que o ama incondicionalmente. A abundância também é saber o que é bom e o que não é. Ter saúde é viver em abundância. Receber o amor do Pai é viver em abundância. Olhar para dentro de si e encontrar paz é ter vida em abundância. Estar cercado de pessoas que o amam é viver em abundância. A abundância não é necessariamente algo que satisfaça a carne, por exemplo, o homem que sente muito prazer ao fazer amor com sua mulher, este tem abundância naquele momento da vida, mas se ele tivesse várias mulheres e ao em vez de fazer amor, somente transasse, isso seria apenas uma busca irracional e sem sentimento algum para cobrir uma lacuna da vida, e o pior estaria cobrindo essa lacuna somente naquele exato momento, pois depois o buraco aumentaria mais e mais por não haver sinceridade naquele ato.
Ser o pegador, o beberrão ou malandro não é viver em abundância, ao contrário, é a busca por um sentido a sua existência. São caminhos que escolhemos e alguns muitas vezes sem volta. Não quero dizer que o caminho para a abundância de vida está dentro de um templo, pois quem me conhece sabe que não é nada disso, digo que essa vida está em Jesus. Você não precisa se tornar um monge ou beato para alcança-la, afinal abundância de vida é favor imerecido. Quando buscamos a Cristo intimamente aprendemos a medir os atos, e quando isso acontece temos noção daquilo que gera vida ou morte. Resumindo, JESUS é a vida abundante, é alegria, a paz, o sentido da existência. Enquanto buscarmos caminhos que se desencontram Dele, matamos a nós mesmos, acabamos com a própria vida mesmo estando vivos.
Encontrar a vida de verdade depende somente de você. É simples, pois a vida que é Jesus está sempre pronta para abraça-lo. Busque a Ele, e quando falo em buscar, digo em verdade, de coração aberto, você e Ele... E ninguém mais

sábado, 26 de janeiro de 2013

O próximo Billy Graham pode estar bêbado agora

Sempre que começo a me sentir desencorajado a respeito do futuro da igreja, me lembro de uma conversa que tive, alguns anos atrás, com o teólogo evangélico Carl F. H. Henry, no que acabaria sendo a sua última visita ao Southern Seminary antes de sua morte.
Muitos de nós estávamos lamentando o estado lamentável da igreja em relação ao descompromisso teológico, a pregação vazia, a falta de discipulado. Perguntamos ao Dr. Henry se ele via alguma esperança nas próximas gerações de evangélicos.
Nunca me esquecerei de sua resposta.
“Por que você fala como se o cristianismo fosse genético?”, disse. “É claro que há esperança para a próxima geração de evangélicos. Mas os líderes da próxima geração talvez não venham do contexto evangélico atual. Provavelmente, ainda são pagãos”.
“Quem diria que Saulo de Tarso seria o maior dos apóstolos entre os gentios?”, nos perguntou. “Quem diria que Deus levantaria um C. S. Lewis, um Charles Colson? Eles eram incrédulos que, uma vez salvos pela graça de Deus, foram grandes guerreiros da fé”.
E, claro, o mesmo princípio se aplicava ao próprio Henry. Quem diria que Deus levantaria um jornaleiro vindo de uma família Luterana não-praticante para defender as Escrituras por gerações de evangélicos conservadores?
O próximo Jonathan Edwards pode ser o homem dirigindo na sua frente, com um adesivo do peixe de Darwin colado no carro. O próximo Charles Wesley pode ser um artista de hip-hop misógino e de boca suja agora. O próximo Billy Graham talvez esteja desmaiado de tanto beber em alguma festa de faculdade. O próximo Charles Spurgeon pode estar, nesse momento, produzindo cartazes de alguma marcha do orgulho gay. A próxima Madre Teresa pode estar administrando uma clínica de aborto nesse instante.
Mas o Espírito de Deus pode mudar tudo isso. E parece ter prazer em fazê-lo. O novo nascimento não simplesmente transforma vidas, criando arrependimento e fé; também provê novos líderes para a igreja, e cumpre a promessa de Jesus de dar a igreja tudo que ela precisasse para prosseguir sua marcha, no espaço e no tempo (Efésios 4.8-16).
Afinal de contas, enquanto Filipe levava o eunuco etíope a Cristo, Saulo de Tarso ainda era um assassino.
Grande parte da igreja, em qualquer geração, surge por meio do discipulado lento e paciente da próxima geração. Mas para nos impedir de pensar que o cristianismo é evolucionário e “natural” (ou, para usar o termo do Dr. Henry, “genético”), Jesus choca sua igreja ao usar líderes que parecem surgir como um Big Bang, do nada.
Sempre que sou tentado a me desesperar por conta do estado da igreja americana, sou lembrado que Jesus nunca prometeu o triunfo da igreja americana; ele prometeu o triunfo da igreja. Grande parte da igreja, no céu ou na terra, não é americana. Talvez a esperança para as igrejas americanas esteja, nesse exato momento, na Nigéria, no Laos ou na Indonésia.
Jesus será Rei, e sua igreja florescerá. E ele o fará acontecer da forma como quiser, ao exaltar os humildes e humilhando os exaltados, ao transformar covardes, ladrões e assassinos nas pedras de fundação da Nova Cidade.
Então relaxe.

Seja gentil com o ateu dirigindo na sua frente. Pode ser que ele venha a evangelizar os seus netos.
por Russell D. Moore